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Baltimore e os Golfinhos do National Aquarium

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Aproveitando nosso passeio em Baltimore, aproveitamos para levar o Tiago e a Fernanda para conhecer o Aquário Nacional de Baltimore, que tivemos a chance de visitar pela primeira vez no final de Janeiro deste Ano.

 

Considerado pela mídia especializada um dos melhores aquários dos EUA, esta segunda visita foi bastante interessante para observar detalhes que haviam passado despercebidos na primeira visita.

Desta vez pelo fato de o Tiago ainda não falar inglês e por já sabermos que o filme passado no cinema 4D é igual ao Documentario em Blue Ray da BBC que temos em casa, compramos apenas a entrada e o show de Golfinhos, que custou USD 27.95 por pessoa.

Como haviamos visitado o Aquario alguns meses antes, não tivemos grandes surpresas. Pois não havia nada que já não tivessemos visto ali. A diferença no entanto agora foi o nível de detalhamento que pude dar a visita. Mas nossas visitas gostaram bastante do que viram. Até porque no Brasil não existe uma estrutura assim. Mas até a Malásia tem!!

Mas talvez sem sombra de dúvidas o que foi diferente nesta visita em comparação com a primeira foi assistir ao show dos golfinhos após assistir ao Trailler do “The Cove”(“A Enseada” em português), o filme que ganhou o Oscar 2010 de melhor documentário.

[youtube= http://www.youtube.com/watch?v=5Xa4C6LQdFE]

Tanto que depois que a Fernanda e o Tiago foram embora para o Brasil nós acabamos comprando o tal documentário pelo Amazon.

 Resumindo a história em um paragrafo:  “The Cove” conta a história de Taiji, uma pequena vila de pescadores na região de Kinki na ilha de Honshu; A maior do arquipélago Japonês. Onde golfinhos que utilizam a região como rota migratória a milhares de anos são encurralados para serem selecionados para os parques de entretenimento como este e tantos outros espalhados pelo mundo. Os que sobram, por nao atingirem características desejáveis para este fim são cruelmente mortos para virarem comida. E devido a demanda por carne de Baleia e sua escassez acaba sendo vendida como tal. O Documentário ainda aborda a carne de Golfinho como um problema de saúde pública uma vez que estes animais contem altissimos niveis de mercúrio em sua carne, elemento este altamente tóxico. Isso ainda sem falar na manipulação que o Japão exerce em conferencias internacionais sobre o tema..

“The Cove” foi dirigido por O’Barry, o primeiro treinador de golfinhos do mundo. Ele foi quem treinou o Flipper e foi preso após tentar libertar todos os golfinhos do centro de treinamento logo depois da exemplar fêmea que fazia o Flipper morrer por depressão (a semelhança maior entre o ser humano e o golfinho não é a inteligência, é a consciência, tá lá no documentário isso e tudo o mais).

A Lucia Malla, pesquisadora Brasileira que reside no Hawai escreveu em seu excelente Blog um Post “Os Golfinhos da Enseada” comentando o filme, o qual recomendo todos a ler. Assim como tendo a oportunidade em assistir ao documentário.

Além disso o tema gerou certa polêmica do Blog Viaje na Viagem, sobre a viagem que o Ricardo Freire fez recentemente a Orlando. Que gerou certa polemica sobre o que seria ético em turismo responsável. Em algo que em seu amago é ecologicamente incorreto e insustentável. Mas que ao mesmo tempo pode ser muito bem utilizado para fins educacionais.

Uma vez que os Golfinhos e outros animais já capturados, dificilmente conseguem voltar a se adaptar ao ambiente selvagem. Mas ao mesmo tempo que a indústria cresce a demanda por novos animais aumenta, fazendo com que estas atrocidades aconteçam.

A verdade é que alguma coisa precisa ser feita: Como a Lucia Malla muito bem coloca no final de seu Post:  A semente do agir precisa ser plantada, regada e estimulada a ser propagada. Não dá pra fugir do chavão: cada um fazendo a sua parte para que possamos mudar o mundo.

Concordo que o documentário chegou a exagerar um pouco na sua dramaticidade, mas sinceramente acredito não estar mais disposto a compactuar com este absurdo: Dando dinheiro para esta industria que se transformou os shows com golfinhos e outros animais. Muito embora tenha que confessar que adoraria bricar com eles.

A cerca de 2 semanas atrás estava na Praia em Rehoboth Beach aqui em quando avistei um grupo de uns 4 golfinhos nadando a cerca de 200 metros da praia, acho que prefiro mil vezes ve-los no mar assim a distância, do que em uma pequena piscina fazendo cambalhotas e dando milhões aos empresários do ramo.

Se fizermos uma conta básica cada pessoa pagando cerca de 30 dolares e com um auditório com capacidade para mais de 500 pessoas, eles faturam neste aquario brincando USD 15.000 por show. Lá em Orlando por sua vez um passeio com direito a nadar com os golfinhos fica numa faixa de 200 a 300 Dólares, pense isso multiplicado por uns 1000 visitantes diariamente. É ou não é uma indústria.

O’Barry, o treinador do Flipper, diz no documentário: Levei 10 anos contruindo uma indústria e passei o resto da minha vida tentando destruí-la se não me importasse com esses animais teria um parque de golfinhos em algum lugar do Caribe e hoje estaria milionário.

O Aquario de Baltimore chega a ser citado durante o documentario, dizendo que quando foi instalado os golfinhos não conseguiam ser mantidos vivos, pois o barulho e as vibraçoes do sistema de filtragem perturbavam os animais de tal maneira que os levava a morte.

Mas apesar dos pesares é importante existirem lugares como os aquários, zoologicos e jardins botanicos, tanto para fins educacionais como também uma estratégia de conservaçao ex-situ. Quantas espécies marinhas não serão afetadas pelo terrivel derramamento de petroleo no Golfo do méxico que a mais de 1 mes não para de despejar milhoes de litros de petroleo no mar.

Quantas destas espécies não estao correndo o risco de serem extintas, um olhar especial para as especies endemicas da area afetada. Algumas delas talvez a ciencia nem conheça ainda e talvez nem tenha a chance de conhecer.

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7 Comments
  1. carlos eduardo nascimento says

    Oscar. muito bom esse seu post

  2. […] que o Riq aparecia beijando uma golfinha no parque Discovery Cove de Orlando, e o Mauoscar também complementou sua opinião sobre a questão dos golfinhos em um post de uma visita ao Aquário de Baltimore (que […]

  3. […] em alguns lugares do Caribe, é conduzida, preferi esperar até que uma oportunidade mais alinhada com meus princípios éticos em relação ao assunto permitissem  a realização de tal […]

  4. Ana says

    Oi Oscar!
    Veja se pode me ajudar.. Irei a NY em novembro/13. A ideia é: chegar dia 15 e pegar no mesmo dia o trem para philadelphia e passar dia 16 lá. Os dias 17 e 18 estão reservados para Baltimore e Washington também de trem. A dúvida É hospedagem em washington e fazer bate e volta para Baltimore, ou ao contrário? Dia 19 voltamos a NY para ficar 6 dias.
    Obrigada!!!
    Ana

    1. Oscar Risch - MauOscar Blog de Viagens says

      Ana

      Olha, isso depende muito do seu estilo de viagem. Eu vou falar o que eu faria no seu lugar.
      Eu iria para Philadelphia (melhor se você estiver chegando no aeroporto de Newark EWR que o trem passa por lá) e depois iria direto para Washington DC. Eu particularmente acho que um dia na capital dos EUA muito pouco para conhecê-la. Se você só quiser passar na frente dos monumentos, tirar uma foto e ir embora, pode até ser que você consiga, mas não recomendo.
      Minha recomendação seria ficar os dois por lá mesmo. Assim, além de visitar os principais monumentos, você vai ter a chance de conhecer alguns dos incríveis museus da cidade.

      Abs

      1. Ana says

        Obrigada!! Vou reservar o hotel em Washington e considerar ficar apenas por lá.
        Abcs Ana

  5. […] e em outras partes do mundo, é conduzida. Preferi esperar até que uma oportunidade mais alinhada com meus princípios éticos em relação ao assunto permitissem  a realização de tal […]

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