133 – Mundo das Orquídeas

Resolvi dedicar este Post as Orquídeas e para isso nao existe lugar melhor que fazer uma visita ao National Orchid Garden aqui em Cingapura, um lugar que todas as vezes que eu fui e foram pelo menos umas 5 vezes sempre me surpreendeu, todas as vezes que fui lá haviam espécies e hibridos diferentes florescendo. Além disso as orquídeas sao plantas que fascinam, fico triste de pensar que terei que deixar as minhas para trás aqui, infelizmente por problemas fitosanitários é muito complicado o trafego de plantas e material propagativo entre paises.

 Jardim Botanico Cingapura Entrada

O nome orquídea vem do grego όρχις (órkhis) que significa testículo e ειδος (eidos) que significa: aspecto, forma; em referência ao formato dos dois pequenos tubérculos que as espécies do gênero Orchis apresentam. Como este gênero foi o primeiro gênero de orquídeas a ser formalmente descrito, dele derivou o nome de toda a família.

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Orquídeas são todas as plantas que compõem a família Orchidaceae, pertencente à ordem Asparagales, uma das maiores famílias de plantas superiores existentes. Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos e existem em todos os continentes, exceto na Antártida, predominando nas áreas tropicais. Majoritariamente epífitas, as orquídeas crescem sobre as árvores, usando-as somente como apoio para buscar luz; não são plantas parasitas, nutrindo-se apenas de material em decomposição que cai das árvores e acumula-se ao emaranhar-se em suas raízes. Elas encontram muitas formas de reprodução: na natureza, principalmente pela dispersão das sementes mas em cultivo pela divisão de touceiras, semeadura in-vitro ou meristemagem.

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O uso de alta tecnologia na produçao dessas plantas sempre foi algo que me fascinou muito, tanto que durante os tres primeiros anos da faculdade trabalhei com micropropagaçao, infelizmente nao com orquideas. O Jardim Botanico daqui de Cingapura possui um enorme laboratório de Micropropagaçao quase todo dedicado as Orquideas.

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Mas atualmente tambem trabalhando com algumas gengiberaceas.

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A respeito da enorme variedade de espécies, pouquíssimos são os casos em que se encontrou utilidade comercial para as orquídeas além do uso ornamental. Entre seus poucos usos, o único amplamente difundido é a produção de baunilha a partir dos frutos de algumas espécies do gênero Vanilla, mas mesmo este uso acaba sendo limitado pela produção de um composto artificial similar de custo muito inferior. Mesmo para ornamentação, apenas uma pequena parcela das espécies é utilizada, pois a grande maioria apresenta flores pequenas e folhagens pouco atrativas. Por outro lado, das espécies vistosas, os orquidicultores vêm obtendo milhares de diferentes híbridos de grande efeito e apelo comercial.

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Apesar da grande maioria das espécies não serem vistosas, o formato intrigante de suas flores é muito atrativo aos aficcionados que prestam atenção às espécies pequenas. Como nenhuma outra família de plantas, as orquídeas despertam interesse em colecionadores que ajuntam-se em associações orquidófilas, presentes em grande parte das cidades por todo o mundo. Estas sociedades geralmente apresentam palestras frequentes e exposições de orquídeas periódicas, contribuindo muito para a difusão do interesse por estas plantas e induzindo os cultivadores profissionais a reproduzir artificialmente até espécies que poucos julgariam ter algum valor ornamental, contribuindo para diminuir a pressão sobre a coleta das plantas ainda presentes na natureza.

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Ano passado durante o Singapore Garden Festival um andar inteirinho do centro de convençoes era voltado as orquideas, para dizer a verdade essa era mais uma exposicao de orquideas do que qualquer outra coisa e posso dizer que nunca vi tantas e tao lindas orquideas, provenientes do mundo todo e trazidas para Cingapura pelas associaçoes de Orquidófilos de toda Asia, uma que nao consigo esquecer foi uma orquídea do genero Phalenopsis, de Taiwan com um cacho com 24 inflorescencias quando o normal nao passa de 6 – 8 por haste.

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Embora sua distribuição seja bastante irregular, as orquídeas são encontradas praticamente em todas as regiões do planeta, com exceção da Antártida. Devido a grande distribuição geográfica, é natural que um grupo tão diverso também apresente adaptações aos mais diferentes climas, bem como a multiplicidade dos agentes polinizadores presentes em cada região. Trata-se de uma família em ativo ciclo evolutivo e seus gêneros mais próximos cruzam-se com certa facilidade na natureza, desafiando o antigo conceito botânico em que uma espécie é formada por todos os indivíduos capazes de cruzar com a produção de descendentes férteis.

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Inclusive foi assim que acabou surgindo a flor nacional de Cingapura proclamada como tal em 1981, mas sua historia remonta a cerca de 110 anos atras quando em Abril de 1899 foi mostrada em uma mostra de horticultura ganhando 1 lugar. Existem duas versoes para historia de como esse hibrido surgiu de fato a história real é diferente. Depois de produzir seu orquídea cruzando a Vanda teres birmanêsa com a Vanda hookeriana malaia, Agnes teria mostrado o híbrido para Henry Ridley, o diretor do Jardim Botânico de Cingapura (Pai da Heveicultura no Sudeste da Asia). Ridley examinou-o, e escreveu numa publicaçao:

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“Há alguns anos Miss Joaquim, uma senhora residente em Cingapura, conhecido por seu sucesso como um horticultora, conseguiu cruzar Vanda hookeriana Rchb. Com Vanda teres., duas plantas cultivadas em quase todos os jardins de Cingapura.”

Vanda

De fato este hibrido parece ter sido facilmente produzido, mas atualmente graças aos avanços é possivel se fazer hibridos inter e intraespecíficos, hoje Cingapura é referencia neste campo, inclusive é praxe quando algum chefe de estado ou grande personalidade visita o país acaba batizando um hibrido com seu nome.

Orquidea Nelson Mandela

Bem voltando as Orquídeas a predominância das espécies ocorre nas regiões tropicais, notavelmente nas áreas montanhosas, que representam barreiras naturais e isolam as populações de plantas. Algumas áreas principais são as ilhas e a área continental do sudeste asiático e a região das montanhas da Colômbia e Equador onde se pode encontrar um grande número de espécies, devido ao isolamento das espécies pelas diversas ilhas ou separadas pelas cadeias de montanhas, ocasionando elevado número de endemismos. O terceiro local em diversidade possivelmente seja a mata Atlântica brasileira com mais de mil e quinhentas espécies. Outras áreas importantes são as montanhas ao sul do Himalaia na Índia e China, as montanhas da América Central e o sudeste africano, notadamente a ilha de Madagascar.

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O Equador é o país onde existe o maior número de espécies registradas, chegando ao número de 3.549, imediatamente seguido pela Colômbia, com 2.723, Nova Guiné, com 2.717, e Brasil, que totaliza 2.590. Entre outros, Borneu, Sumatra, Madagascar, Venezuela e Costa Rica, são outros lugares com elevado número de espécies.

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Podemos dividir de maneira grosseira a presença de orquídeas pelos continentes do seguinte modo:

Eurásia – entre 40 e 60 gêneros

América do Norte – entre 20 e 30 gêneros

América Latina e Caribe – entre 300 e 350 gêneros

África tropical – entre 125 e 150 gêneros

Ásia tropical – entre 250 e 300 gêneros

Oceania – entre 50 e 70 gêneros

Os tipos de orquídeas que predominam em cada uma dessas áreas também são muito variáveis. Nas regiões tropicais úmidas, onde a luz e a umidade são abundantes, porém a competição com espécies arbóreas é muito forte, as orquídeas assumem um hábito predominantemente epifítico. Em busca de luz sob a sombra de árvores de mais de até 40 metros de altura, estas ervas crescem sobre os galhos e troncos, a alturas variadas de acordo com as necessidades de cada espécie. Suas raízes, expostas ao ar, obtêm a maior parte dos nutrientes do material em decomposição ao seu redor, da água da chuva que lava as folhas das árvores no alto, ou da poeira existente no ar.

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Muitas delas para sobreviver tem entremeado ao velame (parte externa da raiz), um fungo chamado Micorriza que auxilia na decomposição de matéria orgânica e na transformação desta em sais minerais, para facilitar sua absorção. Em casos extremos de umidade, as orquídeas podem absorver a água e os nutrientes pelos poros em suas folhas, relegando as raízes apenas a função de sustentar a planta sobre o substrato.

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Mas interessantemente essa absorçao e mais eficiente na porçao inferior da folha, por isso quando se faz uma adubaçao foliar deve-se procurar aplicar o adubo dissolvido em agua na parte de baixo das folhas.

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Nenhuma orquídea assume a função de parasita, ou seja, sua presença não prejudica seus hospedeiros embora haja casos excepcionais em que o galho de uma árvore não suporte o peso de uma grande colônia de orquídeas e venha a quebrar. Há também muitas espécies terrestres, algumas destas, nas regiões tropicais, mantêm-se em desenvolvimento constante durante todo o ano.

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A grande quantidade de matéria orgânica disponível no solo da floresta favorece o surgimento de algumas poucas espécies saprófitas, orquídeas desprovidas de clorofila que obtêm toda a matéria orgânica de que precisam do material em decomposição ao seu redor.

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Em regiões de clima temperado, onde a relva é predominante, ou em regiões de secas como as áreas de savana e os campos rupestres, as orquídeas são basicamente plantas terrestres, com raízes subterrâneas bem desenvolvidas, às vezes com a formação de tubérculos equipando-as para resistirem ao frio e à neve, ou à seca prolongada e ao fogo.

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O frio congelaria as espécies epífitas que não têm raízes abrigadas para armazenarem os nutrientes necessários para a brotação na primavera. Também o fogo consumiria inteiramente as plantas epífitas. Nestas áreas de clima sazonal, as plantas normalmente passam por um estágio de dormência, em que, muitas vezes, sua parte aérea seca para evitar danos à sua fisiologia devido à seca, ou ao frio extremo.

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Algumas espécies são consideradas ameaçadas de extinção na natureza, tanto pelas coletas indiscriminadas como pelo corte das florestas para agricultura e mesmo pela utilização de agentes desfoliantes em guerras ocorridas no passado como no Vietnam.

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 Surpreendentemente, a maioria das espécies consideradas ameaçadas de extinção estão entre as mais comuns em cultivo e das quais há maior produção comercial. A maioria das espécies realmente raras não está presente nestas listas por não apresentarem verdadeiro valor comercial e pouco interesse despertarem. De modo geral, pelo seu baixo valor comercial, os governos não fazem levantamentos sobre a população de orquídeas presentes na natureza e os que existem são apenas resultado de estudos acadêmicos pontuais.

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Até porque um estudo como este é extremamente complicado, quando se faz um levantamento de flora epifitica em um forófito na mata atlantica por exemplo é mais do que comum se encontrar milhares de individuos e dezenas se nao centenas de generos botanicos diferentes.

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Para quem nao sabe um forófito e uma arvore que serve de suporte para uma enorme quantidade de outras plantas, no caso da nossa mata atlantica no Brasil principalmente plantas da família das Bromelias e das Violetas (Gesneriaceas).

Gesneriacea

É interessante ressaltar ainda o fato de que um único fruto de orquídea carrega centenas de milhares de sementes e que a existência de dois ou três indivíduos em cultivo pode produzir no espaço de poucos anos elevadíssima quantidade de plantas, tornando a ameaça de extinção desta planta muito diferente da ameaça de extinção de uma animal, que produz apenas poucos filhos por gestação.

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As orquídeas têm fascinado os homens por mais de dois mil e quinhentos anos. Foram utilizadas no passado em poções curativas, afrodisíacos, para decoração e ocuparam grande papel nas superstições.

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 A China tem longa história na apreciação destas flores. Orquídeas são citadas pela literatura antiga e retratadas pela arte chinesa desde o décimo século antes de Cristo, pinturas do começo de dinastia Song, entre 960 e 1127 chegaram até os nossos dias. Todavia, investigações recentes revelam que o cultivo de Cymbidium começou apenas no final da dinastia Tang entre 860 e 890 e não nos tempos de Confúcio como se pensava antes.

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 Possivelmente a primeira publicação exclusivamente sobre orquídeas é uma monografia de sobre a cultura extensiva de destas plantas, no final da dinastia Song, entre 1128 e 1283. Pelo trabalho percebe-se que seu cultivo estava já bem estabelecido na China por esta época.

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Na Europa existem registros do período clássico grego de Teofrasto de Lesbos, cerca de 300 AC. Em seu trabalho Historia Plantarum, volume 9, descreve uma planta com dois pequenos tubérculos subterrâneos aos quais chama orchis, que corresponde à palavra testículos, possivelmente um exemplar de Anacamptis morio, que acabou dando o nome da familia, já que foi o primeiro genero descrito.

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Antes dos Espanhóis conquistarem o México a fruta de Tlilxochitl, uma espécie de Vanilla, era a mais estimada dentre as especiarias astecas. Este povo admirava também as Coatzontecomaxochitl, Stanhopea, como flores sagradas as quais cultivavam em seus jardins. Os astecas utilizavam também algumas espécies de orquídeas para fabricação de cola.

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A partir do século XVI diversos trabalhos foram publicados na Europa: Leonhart Fuchs em Historia Stirpium (1542), Hieronymus Bock em suas anotações volume 2 (1546), Jacques Daléchamps em Historia Generalis Plantarum (1586). Após a publicação de Species Plantarum por Lineu, em 1753, os registros sobre orquídeas ficaram cada vez mais abundantes.

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Antes de introdução de espécies exóticas na Europa, as orquídeas eram há muito cultivadas como plantas de jardim. A primeira orquídea introduzida na Europa foi um exemplar de Brassavola nodosa que chegou na Holanda em 1615. Em 1688 desembarcaram as Disa uniflora vindas da África do Sul.

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Provavelmente devido à sua supremacia, diversas coleções importantes formaram-se na Inglaterra durante o século XIX. Em 1818 chegaram os primeiros exemplares de Cattleya labiata provenientes do Brasil, causando grande sensação e reforçando ainda mais o interesse pelas espécies tropicais destas plantas.

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Com o advento dos primeiros vistosos híbridos, no final do século XIX, o interesse por novas plantas provenientes dos trópicos diminuiu um pouco por algumas décadas, até que o interesse científico pela descrição de novas espécies no início do século XX, aumentasse a coleta de plantas e seu envio à Europa, principalmente para jardins botânicos e amadores interessados na recomposição de suas coleções.

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A oferta de híbridos tem aumentado constantemente e as técnicas de semeadura modernas desenvolveram-se muito diminuindo bastante o preço destas plantas, outrora caras. As técnicas de seleção também aprimoraram-se e mesmo espécies naturais de difícil cultivo tem sido selecionadas de modo a tornar viável a cultura doméstica. A oferta de variedade raras de espécies naturais, com cores e formas selecionadas, vem também possibilitando a quase todos a aquisição de plantas antes apenas cultivadas por milionários. Em poucos anos qualquer planta altamente desejável pode ser reproduzida aos milhares. Vale notar o exemplo do Phragmipedium kovachii, espécie raríssima, desconhecida da ciência até 2002, hoje comum em coleções ao redor do mundo.

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Apesar de sua grande variedade, poucas orquídeas são cultivadas pela sua utilidade. Além dá já citada Vanilla, para produção de baunilha, algumas espécies são localmente utilizadas para produção de aromatizantes de chá, por exemplo, espécies perfumadas de Jumellea, perfumes ou tabaco, algumas Vanilla. Na Turquia usam-se os tuberculos da Anacamptis morio para preparação de um sorvete conhecido como salep. No século XIX pseudobulbos de Cyrtopodium eram utilizados como adesivos domésticos no Brasil.

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O verdadeiro valor das orquídeas hoje provém da produção de flores para corte, principalmente híbridos dos gêneros Phalaenopsis, Cattleya, Dendrobium, Paphiopedilum e Cymbidium. As mesmas espécies são também bastante vendidas em vasos para ornamentação e cultivo doméstico.

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Um exemplo de como a cadeia produtiva das plantas de corte neste caso especifico as orquideas podem trazer receitas a um país temos o caso da Tailândia que tem especializado-se na produção de flores de orquídeas para exportação para grandes cidades ao redor do mundo. Em 2001 exportou mais de 3 milhões de plantas vendidas por cerca de 40 milhões de dólares. Desde então o ministério da agricultura da Tailândia reconheceu o potencial desta produção e tem procurado melhorar a qualidade e atratividade de seus clones concedendo certificados aos melhores produtores.

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Detalhe assim como no caso da borracha Cingapura teve um papel fundamental na disseminacao da tecnica de cultivo e novamente o Jardim Botanico de Cingapura estava lá!! Apesar de a hibridação de orquídeas vem sido utilizada a cerca de 130 anos, muitos dos programas para produzir flores de orquídea cada vez mais belas falharam por diversos motivos e faltou continuidade. Não é assim que o programa de melhoramento no Jardim Botânico de Cingapura.

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Em 1928, sob a direcao do Professor Eric Holttum, diretor do Jardim de 1925 – 1949, foram criados laboratórios e conduzidos as primeiras experiências na reprodução e hibridação de orquídeas. Os resultados desses experimentos, deram frutos e novas orquídeas híbridas foram criadas e hoje alimentam uma industria de vários milhões de dólares, a indústria de flores cortadas. Desde então, notáveis híbridos foram cultivadas nas dependencias do Jardim Botanico, especialmente no Laboratorio de Micropropagacao Vegetal e que acabaram recebendo o reconhecimento em todo o mundo.

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Atualmente o Jardins Botânico esta focado na hibridação, conservação e micropropagação de orquídeas. Realiza trabalhos citológicos e indução artificial de tetraplóides a fim de melhorar a textura, o tamanho e a cor das flores. Tendo ainda como objetivo propagar conservar e re-introduzir espécies nativas raras e ameaçadas em diversos parques e áreas naturais em Cingapura. Ainda desenvolve protocolos para cultura de tecidos visando a produção em massa de plantas selecionadas com características desejadas para a exibição e paisagismo em Cingapura.

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Para quem nao sabe abaixo esta uma pequena lista dos generos de orquideas e de onde elas cresciam originalmente.

Europa: Orchis, Ophrys, Cypripedium.

Ásia e Oceania: Cymbidium, Dendrobium, Phalaenopsis, Paphiopedilum, Vanda, Bulbophyllum, Coelogyne, Dendrochilum, Eria.

África: Angraecum, Aerangis, Disa.

América: Cattleya, Laelia, Oncidium, Epidendrum, Brassia, Catasetum, Sophronitis, Miltonia, Pleurothallis, Masdevallia, Lycaste, Maxillaria, Phragmipedium, Encyclia, Odontoglossum, Brassavola.

Jardim Botanico Cingapura

Vale a pena lembrar que quando se fala de orquideas quase nunca se usa o termo espécie e sim genero uma vez que como a produção de híbridos artificiais de orquídeas vem ocorrendo há mais de um século. Estima-se que sejam hoje mais de cem mil híbridos. A Royal Horticultural Society é responsável pelo registro oficial de híbridos, no entanto, a produção doméstica e por pequenos produtores locais é bastante grande e só pequena parte destes híbridos caseiros é registrada, de modo que o número total de híbridos já produzidos pelo homem permanecerá sempre apenas uma suposição.

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De acordo com as regras do Código Internacional de Nomenclatura de Plantas Cultivadas, os híbridos de espécies de um mesmo gênero são sempre classificados com nomes pertencentes ao mesmo gênero, por exemplo o híbrido entre duas Cattleya ainda é uma Cattleya. Quando são dois os gêneros utilizados, cunha-se um nome utilizando-se os nomes originais, por exemplo o híbrido entre uma Laelia e uma Cattleya é uma Laeliocattleya. Quando são três ou mais os gêneros envolvidos, o produtor pode criar um nome novo para o gênero resultante, desde que nenhum tenha sido registrado anteriormente.

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Os híbridos naturais de orquídeas são comuns também, no entanto, apesar de serem em sua grande maioria plantas férteis, apenas pequena parcela deles é capaz de reproduzir-se naturalmente. Isto decorre do fato que espécies tão especializadas como as orquídeas necessitam de um polinizador em particular para cada uma. Os híbridos naturais geralmente são plantas que não se ajustam aos agentes polinizadores existentes exatamente por serem mesclas de espécies estabelecidas a milhares de anos e com polinizadores diferentes. Seus tamanhos cores e medidas são diferentes do necessário para obter sucesso reprodutivo natural. Interessante nao?

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É por isso que sempre me interessei por plantas e as orquideas talvez sejam as mais interessantes delas. Vou confessar que vou sentir saudade de passear no Jardim Botanico aqui mas “roubei”uma flor da Vanda Miss Joaquim a simbolo de Cingapura para secar e guardar como recordaçao, antes de mudar vou la mais uma vez!!

Jardim Botanico Cingapura (7)

Aproveitei a visita ao Jardim Botanico para comprar um livro sobre as arvores de Cingapura, olhando ele descobri uma coisa que me deixou de cara, a arvore que vejo daqui da janela de onde escrevo trata-se de uma planta da familia das Meliaceas, OK até ai eu ja sabia pelo tipo da folha e pelo tipo do fruto, mas o que me fez cair de costas foi descobrir que se trata de uma especie que trabalhei em laboratorio, trata-se de nada mais nada menos que a Switenia Macrophylla, ou seja nosso Mogno!!

Trees_of_our_Garden_City

Mais uma vez o fato da evoluçao entre plantas e animais esta presente, aqui existem pelo menos umas 10 arvores de mogno plantadas e todas com o tronco retinho porque no Brasil nao temos plantio de Mogno entao? A resposta se chama uma larva  a Hypsipyla grandella que dezima plantios comerciais que nao existe aqui,pelo menos por enquanto, na amazonia existem 1 a 2 arvores de mogno por hectare o que digamos “confunde o inseto” e acaba fazendo desta madeira tao nobre ser tao rara.

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Para finalizar fui tirar uma foto na árvore de Tembusu (Fagraea fragrans) que recebe destaque especial ja que se encontra no verso da nota de 5 dólares de Cingapura. Nao tinha nenhuma foto dela ainda!!

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No Responses to “133 – Mundo das Orquídeas”

  1. Jenny
    15/10/2009 at 9:48 pm #

    Filho! A cada dia que passa acho o blog mais e mais interessante. As fotos são deslumbrantes e o conteúdo das informações estão riquissimas. Tudo que estas documentando e pesquisando é de grande valia a todos que gostam de cultura.Tenho que parabeniza-lo… Mil beijos de uma orgulhosa mãe.

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  3. Ana Paula
    11/03/2010 at 5:33 pm #

    Adorei seu mundo das orquideas !!!
    Continue escrevendo sempre .
    Parabéns !!!
    Ana

    • Mauoscar em Dela Where???
      11/03/2010 at 5:44 pm #

      Legal Ana Paula, obrigado por visitar nosso Blog e volte sempre;)

  4. 10/09/2010 at 12:00 am #

    muito, muito legal! permite que eu reproduza no http://www.portaldasflores.org que edito? Claro com crédito e links.

    • Mauoscar
      10/09/2010 at 8:40 am #

      Olá Sandra

      Tudo bem?
      Primeiramente gostaria de agradecer sua visita ao nosso Blog. Em segundo parabenizar você pelo seu..
      Como você talvez tenha percebido sou um verdadeiro apaixonado por flores e plantas.
      Assim como você, esse interesse pelas plantas é algo que herdei de família. Principalmente por influência da minha avó materna com quem desde pequeno aprendi a gostar e aprender com as plantas.
      Apesar de ter feito engenharia florestal, cheguei a fazer alguns estágios relacionados ao paisagismo e horticultura, quando finalmente me identifiquei com melhoramento florestal. Mas no final da graduação tudo mudou de uma hora para a outra. E hoje estou rodando o mundo com meu parceiro.
      Você perguntou se poderia reproduzir o meu post sobre o mundo das orquídeas. Bem não vejo nenhum problema nisto, mas desde que não seja a reprodução total do Post e sim uma espécie de resumo/resenha
      Como você deve saber é muito desagradável encontrar seu material copiado e publicado em outras fontes da Internet sem os devidos créditos e links.
      Não sei se voce chegou a ter a chance de ver, mas em nosso Blog existem outros artigos relacionados às plantas que talvez possa interessar. Dos quais recomendo o sobre o Jardim Botânico de Cingapura, o Longwood Gardens aqui nos EUA e a florada das Cerejeiras em Washington DC.

      http://mauoscar.com/2009/08/05/111-jardim-botanico-150-anos
      http://mauoscar.com/2010/05/29/longwood-gardens/
      http://mauoscar.com/2010/05/13/cerejeiras-de-washington/

      Grande abraço e espero manter contato

      Oscar

  5. tatiane liberia
    28/09/2010 at 12:24 pm #

    amei o mundos das orquidias espero voltar em breve.

    • Mauoscar
      28/09/2010 at 2:00 pm #

      Ola Tatiane

      Obrigado pela visita e principalmente por deixar um comentário:) E volte sempre :D

  6. fathyma
    06/05/2011 at 6:47 pm #

    nosaaaa adorei as flores

    • MauOscar
      07/05/2011 at 10:33 am #

      Que legal que você gostou.. Ao vivo são ainda mais bonitas eu garanto :D

  7. Leny Calvi
    15/04/2012 at 1:09 pm #

    Amo plantas em especial as orquideas. Tenho para meu deleite umas poucas em minha casa.

    • MauOscar
      25/04/2012 at 8:36 am #

      Leny

      Neste jardim você iria ao delirio com as cores, formas e espécies que eles tem

  8. 12/04/2013 at 10:38 am #

    Sou sócia de um clube de jardinagem amador e, junto com outras sócias, sou responsável pela produção anual de um Calendário do Jardim. Estou sempre em busca de novidades e entro muito na internet. Fiquei encantada com seu blog, muito informativo e interessante. Parabéns

    • Oscar Risch - MauOscar Blog de Viagens
      13/04/2013 at 4:33 am #

      Suzanne

      Que legal… Eu sou formado em Engenharia Florestal e por alguns anos durante a graduação fui colaborador do laboratório de paisagismo da universidade.. Naquela epoca colaborava com a criação de conteúdo para o website do laboratorio.. Sempre fui apaixonado por plantas talvez por isso tenha tantos posts falando sobre plantas e jardins..Fico feliz em saber que voce gostou do blog

      Abraço

  9. Silbia Boris
    24/06/2013 at 11:43 am #

    olá tudo o que quero e um orquidea de baunilhaaaa,,,,, como faço????

    • Oscar Risch - MauOscar Blog de Viagens
      24/06/2013 at 3:45 pm #

      Silbia
      Eu não sei onde você mora, mas tente entrar em contato com colecionadores de orquideas na sua região, eles certamente serão as pessoas mais indicadas para você descobrir onde pode conseguir uma muda da planta
      Abraço

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  1. O que ver e fazer em Cingapura « Mauoscar - 13/08/2010

    […] do Jardim Botânico fica o Jardim Nacional das Orquídeas,  a maior coleção de Orquídeas do Sudeste da Ásia, ao todo possui três hectares com mais de […]

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