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Trabalho Voluntário em Cingapura

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Finalmente depois de alguns e-mails, finalmente consegui um trabalho voluntário no National Parks de Singapura, na verdade como minhas aulas do curso de inglês ainda não começaram e tenho o dia todo livre, eles me chamaram para participar 3 x por semana da demarcação e marcação de árvores dentro de algumas parcelas em diferentes pontos da ilha.

Na primeira semana estivemos de Fevereiro estivemos realizando o trabalho dentro do MacRitchie Reservoir, o trabalho consistiu em marcar o acesso a parcela a partir de algum referencial utilizando-se bússola e GPS, na parcela em si foram marcadas todas as árvores com diâmetro na altura do peito (DAP 1.3) superior a 15 cm, alem disso as árvores foram identificadas quanto a sua espécie e quanto ao seu estado fenologico.

Pela primeira vez utilizei na vida um método de marcação de árvores que utiliza missangas coloridas que fazem parte de um código que de acordo com as cores localiza o septo da parcela e o numero da matriz, um processo um tanto confuso, e trabalhoso para instalação, e tenho certas duvidas sobre a permanência dessa marcação nas árvores por longos períodos, mas enfim não seria eu a pessoa a discutir o método utilizado por eles.

Ainda não estou familiarizado com as espécies arbóreas daqui do sudeste da Ásia, no máximo que consigo acertar são algumas famílias e ate algumas vezes alguns generos de árvores.

Uma das coisas engraçadas desse trabalho e ter que se deslocar pela ilha na cacamba do caminhaozinho do National Parks, aqui em Singapura e muito comum o transporte de trabalhadores nesse tipo de veiculo aberto, especialmente trabalhadores da construção civil, maioria deles indianos, me senti um verdadeiro indiano, mas ate que foi legal.

Nessa semana acabamos não vendo muitos animais na floresta apenas alguns lagartinhos e insetos.

Na terça feira dia 10, Almocei com a Rie que veio do Japão, passar alguns dias aqui em Singapura, nos estudamos juntos por 3 meses no British Council, levei ela para comer churrasco Brasileiro na Brazil Churrasco em Guillman Village próximo ao trabalho do Mau.

Combinamos de nos encontrar no Vivo City e de la pegamos um táxi ate a churrascaria, ela adorou a comida disse que nunca comeu tanta carne na vida dela.

Na quarta feira dia 11 nossa próxima parcela a ser instalada foi no Central Nature Reserve, ali uma floresta um pouco mais densa que no MacRitchie Reservoir e também mais afastada, levamos cerca de 40 minutos ate chegar na área e mais uns 30 minutos na trilha ate chegar a área estabelecida. O dia estava bastante quente e umido, uma das coisas que me chamou mais atenção foi uma nepenthes sp, uma planta carnívora com mais de 25 bolsas para capturar insetos, nesse dia ainda vimos alguns macacos, e uns pequenos mamíferos, muitos insetos e algumas aranhas, quanto a floresta essa tinha muito rattan e cheia de espinhos, toda vez que você andava você enroscava em alguma coisa, as árvores tinham diâmetro mediano, relativamente poucas árvores com grande diâmetro.

O trabalho estava rendendo muito bem, resolvemos então terminar essa parcela nesse mesmo dia, estávamos próximos a uma base militar a todo momento ouvíamos o barulho de helicópteros subindo e descendo e muitas vezes sobrevoando sobre nos, por volta das 16:00 quando estávamos terminando o ultimo transepto da parcela, uma tempestade começa a cair, e quem esta na chuva e para se molhar, o pior de tudo eram os raios que caiam, e a chuva era bem forte, e interessante estar dentro da floresta num momento assim, nunca tinha vivido essa experiência antes, e e incrível como “demora” a chover na floresta , somente depois de uns 5 minutos de chuva forte que comecei a me molhar de fato.

Ainda tínhamos cerca de 30 árvores para terminar e ficamos na chuva fazendo isso apesar do desconforto de estar molhado, mas ao mesmo tempo era refrescante, terminamos o trabalho e seguimos de volta ate chegar no caminhaozinho, pelo caminho algumas árvores ate chegaram a cair sobre a trilha e tivemos que desviar delas, uma coisa que me chamou atenção nessa área, que como ela e usada pelo exercito de Singapura para treinamentos em selva, a quantidade de lixo, como garrafas platicas dentro da mata e muito grande, no mínimo deveriam recolher o lixo que deixam para trás.

Todos estavam ensopados, e seguimos na chuva de volta a Singapura, pedi para me deixarem em uma estacao de metro pelo caminho, me deixaram na estacao de Ang Mo Kio e segui de metro ate em casa, todo molhado, e passando frio com o ar condicionado, mas no final da viagem já estava “quase” seco, mas imundo obviamente. Mas por sorte, ou melhor depois de muito trabalho acabamos terminando todo nosso trabalho para aquela semana em apenas um dia.

No sábado dia 14 fui ao MacRitchie Reservoir, em um tour guiado, o qual no futuro poderei ser o guia, la conheci a pessoa com quem troquei os emails ate conseguir ser voluntário, o Mac Ritchie foi adotado ano passado pela MediaCorp, a emissora de TV de Singapura e seus funcionários trabalham como voluntários também, nesse dia conheci duas senhoras que trabalham no marketing da MediaCorp, super legal elas, no final ainda ganhei uma carona delas ate as lojas de plantas perto da emissora, onde comprei um vaso de um tipo de dracena, que você apenas coloca agua, e a planta se desenvolve. Esse tipo de trabalho e vendido pela época do ano novo chinês, a agora como se passaram algumas semanas estava super barato, coloquei no nosso banheiro e ficou super legal.

Foi legal também que pude conhecer um pouco da historia do parque. Que deve o seu nome a um dos engenheiros que projetaram a barragem e o sistema de distribuição de águas em Singapura.

Antes do início do século 19, a maior parte da ilha principal  de Singapura era coberta por floresta primária. Logo após os britânicos se estabelecerem em Singapura, em 1819 e com o aumento da atividade comercial, houve uma maior demanda por água fresca.

Entre 1820 e 1870, uma parcela substancial da floresta virgem foi derrubada o que ajudou Singapura  ase tornar uma importante feitoria. Em 1886, apenas 10% da cobertura florestal original permanecia intacta.

Em 1857, o mercador chinês Tan Kim Seng doou $ 13.000 para a melhoria da água da cidade, mas os atrasos, a má planificação e utilização dos materiais de construção acabou com o orçamento. Novos planos foram elaborados para um reservatório. Mas o dinheiro era insuficiente – o custo do novo reservatório era de US $ 100.000 – mas a sede da Cia. Das Indias Orientais em Calcutá recusou-se a pagar o restante do custo.  Quando Tan morreu em 1864, o reservatório não estava concluído.

A construção do reservatório foi finalmente concluída em 1868, mas a rede de distribuição não foram concluída até 1877. Por esse tempo, a confiança do público na capacidade do governo foi bastante prejudicada.

Em 1882, em um movimento para salvar sua reputação, o Conselho Municipal ergueu uma fonte na Praça Fullerton, em honra de Tan Kim Seng. A fonte foi posteriormente transferida para a Rainha Elizabeth Walk, onde se encontra ate hoje.

Em 1891, a capacidade do Reservatório ate então chamado de Thomson Reservoir, em homenagem ao seu designer John Turnbull Thomson, foi expandida para mais de 465 milhões de galões, por James Mac Ritchie.

No entanto, o reservatório de 4 milhões de galões por dia ainda eram insuficientes para satisfazer a demanda . A água era bombeada para o reservatório a partir da parte superior de Kallang River, uma das maiores fontes da ilha de água doce.

Outras barragens para o fornecimento de água doce – Lower Peirce Reservoir e Seletar Reservoir – foram concluídas em 1912 e 1920, respectivamente. No entanto, o governo percebeu que Singapura não seria capaz de satisfazer as suas próprias necessidades de água doce. Em 1927, um tratado foi assinado com o Sultão de Johor. Singapura recebeu o primeiro abastecimento de água a partir de Johor em 1932.

Durante a II Guerra Mundial, o Exército Imperial japonês, durante a ocupação japonesa de Singapura construiu um santuário, no meio da floresta de Mac Ritchie Reservoir. Mas quando o exército britânico reocupou Singapura, o santuário foi destruído.

Ate hoje Singapura tem nessa represa uma das maiores fontes de agua doce da ilha, mas sem duvida a maior parte da agua consumida aqui vem da Malásia.

Na outra semana estivemos em Lower Peirce Reservoir. Junto com a equipe que normalmente vinha realizando o trabalho de instalação das parcelas, estava desta vez 3 pesquisadores do Jardim Botânico. Tanto que desta vez foram necessários dois veículos para a equipe.

Inicialmente conhecido como Kallang River Reservoir,este foi o segundo reservatório construído em Singapura em 1910. Em 1922, foi rebatizado Peirce Reservoir em louvor aos serviços de Robert Peirce, que foi o engenheiro municipal de Singapura 1901-1916.

Em 1975, um grande projeto de abastecimento de água foi desenvolvido para apoiar Singapura na rápida industrialização e nos seus programas habitacionais. A barragem foi construída na parte superior do Kallang River, formando a Upper e Lower Peirce Reservoirs.

A Upper Peirce Reservatório foi inaugurado oficialmente pelo então primeiro-ministro Lee Kuan Yew em 27 de Fevereiro de 1977.

Chegamos ao Lower Peirce Reservoir, deixamos o carro na beira da estrada e seguimos pelo “aceiro” por onde passa o o duto que traz agua de Johor na Malásia para Singapura, no meio do caminho paramos em um local onde a agua sai do duto e segue por uma canaleta ate a estacao de tratamento, ali cantamos parabéns para a única mulher da equipe, que estava de aniversario naquele dia, o bolo estava uma delicia.

Um dos pesquisadores que estava na equipe, não me era estranho, depois de conversarmos um pouco lembrei que já havia falado com ele no Singapore Garden Festival, no estande da Singapore Arboriculture Society.

Seguimos adiante, por alguns trechos caminhando sobre o duto de agua que abastece Singapura, sendo que sobre esse duto temos uma surpresa, uma cobra de cerca de 40 cm, um dos integrantes pegou ela na mão, assim tive a oportunidade de tirar varias fotos bem próximas dela.

Em determinado ponto deixamos o duto e entramos na mata, desta vez em uma área de influencia fluvial, bastante “molhada” e com vários espécimes de Pandanos, com bastante espinhos, que requeria bastante cuidado ao andar e em o que pegar para se apoiar, levamos cerca de 40 minutos para atingir a área da parcela, bem próximo a outro campo de treinamento militar, do qual podíamos ouvir vários tiros.

O trabalho era bastante dificultado pela instabilidade do solo, as raízes com pneumatofaros faziam tudo ficar mais difícil, mas como estávamos com mais pessoas o trabalho andou relativamente rápido.

Encontramos mais uma outra cobra, alguns lagartinhos, vários insetos, como formigas, besouros etc.. e quando estávamos indo embora um esquilo estava na árvore central da parcela, muito próximo de nos, e la ficou por uns 20 minutos.

Na volta peguei carona ate o jardim Botânico, o maior do genero no sudeste asiático, que contem exsicatas do tempo em que a seringueira foi introduzida no jardim Botânico daqui  através de sementes provenientes do Brasil, que chegaram a Singapura por meio do Kew Gardens e depois do trabalho do ex diretor, Henry Ridley, tornou o sudeste asiático o maior produtor mundial do produto, fazendo a produção no Brasil com diversos problemas entrar em declínio acabando com todo o esplendor do ciclo da borracha na amazonia.

Para quem não sabe:

A seringueira (Hevea brasiliensis) é originária da região amazônica do Brasil. A borracha dessa árvore foi descoberta em meados do século XVIII.

A importância econômica e industrial da borracha natural fazia da seringueira uma árvore estratégica, sendo que sementes foram levadas pelos ingleses para serem plantadas em suas colónias aqui na Ásia. E infelizmente a sua introdução se deu aqui em Singapura.

Aqui  a seringueira foi cultivada como uma espécie comercial, diferentemente do Brasil, onde estava em seu habitat natural. Portanto, enquanto o sistema de produção brasileiro era o extrativismo, o asiático se baseava na exploração comercial. Esse foi o principal fator de sucesso da produção de borracha na Ásia. Além desse aspecto agronômico, na Ásia não existia o fungo causador do mal-das-folhas (Microcyclus ulei), que é uma das doenças mais comuns dos seringais – sobretudo na Amazônia.

Ficou praticamente impossível para o Brasil competir com a Ásia no mercado mundial, uma vez que o sistema de cultivo asiático era intensivo e não havia o mal-das-folhas.

No Brasil, o governo insistia na extração de borracha na região amazônica, gastando muito dinheiro para subsidiar esse sistema de produção. Quase todas as tentativas de cultivo intensivo da seringueira na Amazônia fracassaram, devido à incidência do fungo microcyclus.

Os investimentos em pesquisa agrícola também explicam o forte crescimento da produção do látex na Ásia. A grande disponibilidade de mão-de-obra naqueles países foi outra característica que permitiu o avanço do cultivo, uma vez que o processo de sangria exige bastante trabalho manual.

Atualmente, Tailândia e Indonésia são os maiores produtores do mundo, respondendo por 27% e 29% da produção total mundial, respectivamente. O Brasil, que no início do século XX detinha o monopólio da produção mundial, hoje infelizmente responde por apenas 1%, não conseguindo sequer suprir as necessidades da indústria consumidora instalada no país.

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No Comments
  1. Jenny says

    Esta muito interessante seu blog e de difícil compreensão que o Brasil tenha perdido a exploração da borracha, isso denota um total desinteresse de nossos governantes.Beijosss

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