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004 – Itaimbezinho e Fortaleza

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Dia 14 de Fevereiro de 2007, nosso primeiro dia em Cambará do Sul no Rio Grande do Sul. Acordamos relativamente tarde ainda se recuperando da trilha do Cannyon do Rio da Pedra e  lá pelas 08:30 fomos tomar café, na construção principal do nosso hotel.

Ficamos hospedados na Pousada Estalagem da Colina, hotel tipo pousada com vários chalés super aconchegantes.  O café estava uma delicia, tudo caseiro e muito saboroso.

Preparamos nossas coisas e partimos em direçao ao Cannyon Fortaleza, dentro do Parque Nacional da Serra Geral. Para se chegar até lá andamos mais uns 35 Km de estrada secundária, em relativo estado de conservação.

 

Pelo caminho, além de olhar as pedras da estrada também era possível contemplar vários belíssimos campos e vários talhões de Pinus.

 

Esta foi a segunda vez que fui ao Cannyon Fortaleza. A primeira delas foi com meu pai e o meu irmão em 2002, quando o local estava ainda mais longe de ser um popular destino ecoturístico. Acho que mal existiam pousadas naquela época.

Da primeira vez que fui para Cambará do Sul para a segunda pude notar que além de estar cada vez mais turística. A área de plantio de Pinus também aumentou bastante, principalmente em função do aumento do preço da madeira nos últimos anos na região Sul do Brasil.

O que algumas pessoas chegaram a chamar de o Apagão Florestal. Na verdade devido ao fim dos incentivos fiscais da década de 60, não era vantajoso se plantar floresta, um investimento de longuíssimo prazo para os padrões Brasileiros.  No Brasil se acha muito tempo 25 anos, quando no hemisfério norte muitas vezes o ciclo de rotação de uma espécie florestal muitas vezes é maior que 100 anos. A única coisa ruim de se estar plantando Pinus nesta região é que infelizmente isso alterando a paisagem dos campos de cima da Serra.

Logo na entrada do Parque ainda paramos o carro para tirar uma foto da placa do parque. Ao fundo podia-se avistar um plantio de Pinus com menos de 3 anos de idade.

Logo passamos pela guarita do parque que felizmente ou infelizmente, dependendo do ponto de vista é gratuito. E rumamos em direção ao Cannyon Fortaleza por mais 5 Km de estrada de terra, cheia de pedras.

Paramos em um arroio como são chamados os riachos no Rio Grande do Sul para tirar umas fotos, neste ponto o céu estava limpo com sol. Esse riachos da região são muito legais pois a agua corre por cima de Lajes de pedra e vai caindo formando pequenas cachoeiras ao longo de todo curso do Rio.

É justamente este arroio que corre para a trilha da pedra do segredo, que infelizmente devido às condições climáticas adversas não nos deixou conhecer. Mas conheci na primeira visita e achei o máximo, mas não é o tipo de programa para quem tem medo de altura. Depois de tiradas algumas fotos voltamos ao carro para irmos ao Cannyon.

Quando já estávamos vendo os cannyons notamos as nuvens literalmente subindo pelo Cannyon. Estacionamos o carro e nos apressamos para tentar ver o Cannyon. Assim que chegamos deu tempo de tirar uma foto e o tempo fechou, estávamos literalmente nas nuvens. 

O tempo na região é muito instável. A meteorologia raramente acerta nas previsões. Além da instabilidade do tempo, ocorre na região o fenômeno da viração. Um natural fenômeno causado pela diferença de temperatura e pressão entre o litoral e a serra, que faz com as nuvens subam por dentro do cannyon. O que acaba dificultando sobremaneira os deslocamentos nas áreas dos cannyons.

Por tudo isso, não foi nesta primeira tentativa de visita à região dos cannyons que podemos apreciar toda a sua magnitude.

Subimos ainda pensando que em poucos minutos o tempo pudesse melhorar, mas depois de 45 minutos acabamos desistindo, bastante frustrados. Começamos nossa jornada de volta a Cambará do Sul.

Paramos na guarita do parque nacional, onde perguntamos se havia previsão de melhorar: Ai nos foi informado que naquele dia a previsão era de o tempo ficar assim mesmo. Perguntamos então como estavam as condições meteorológicas do Parque Nacional do Aparados da Serra, onde se localiza o Cannyon Itaimbezinho.

O guarda-parque, então passou um radio para lá e nos disse que lá as condições estavam ótimas e visibilidade total, resolvemos então ir ate la, mais uns 45 km de estrada secundária até que finalmente chegamos ao Parque Nacional dos Aparados da Serra.

A estrada para o Parque Nacional do Aparados da Serra,  de Cambará do Sul até lá estava em estado péssimo de conservação, apesar da aventura Off Road com nosso Palio estávamos gostando bastante da Aventura e principalmente da Paisagem.

Estranhamente da entrada do parque nacional até o centro de visitantes a estrada é asfaltada. Isso tem uma cara de superfaturamento. Mas mesmo sendo asfaltada e com centro de visitantes e tudo mais, ainda podemos considerar o local quase sem infra-estrutura turística quando comparado a outros países. Imagine então os outros parques nacionais que não são tão famosos. Mas para se usufruir este pequeno trecho de asfalto tem que se pagar ingresso e taxa de estacionamento.

O Cannyon do Itaimbezinho é talvez o mais famoso dos Cannyons da região, que abrange dois parques Nacionais. E está também um dos maiores Cannyons do Brasil. Sua extensão chega a 5.800 metros e sua largura máxima alcança os 2000 metros.

As paredes rochosas têm uma altura que chega a quase 900 metros e que ao contrário do Cannyon Fortaleza é cobertas por uma vegetação baixa e pinheiros nativos. Para quem nunca esteve à beira de um cannyon, a sensação é realmente indescritível.

Estas formações rochosas de pelo menos cerca 130 milhões de anos parecem ter sido “aparadas” de maneira minuciosa pela ação de agentes de intemperismo como temperatura água e vento.

Assim que chegamos seguimos pela trilha do cotovelo, pois esta trilha fecha as 15:00 pelo caminho de cerca de 6 Km podemos avistar vários pinheiros (Araucaria angustifolia) e em determinados pontos podíamos ver o cannyon ao nosso lado, no entanto este parque ao contrario do Parque Nacional da Serra Geral, apresenta uma infra-estrutura um pouco melhor. Entre os equipamentos nele instalados estão o centro de visitantes e as cercas impedindo o acesso a borda do cannyon.

Continuamos a trilha ate chegar ao mirante do Cotovelo. Deste ponto e possível ter uma real impressão da magnitude do lugar, infelizmente cerca de 15 minutos depois que chegamos começou a chover e começou a ocorrer a viracao, atrapalhando mais uma vez nossa visualização do cannyon, no entanto os 25 minutos que pudemos contemplar o cannyon antes de o nevoeiro fechar tudo foram quase mágicos.Mesmo debaixo de chuva.

Então retornamos ao centro de visitação, estávamos ensopados, mas mesmo assim não estávamos nem um pouco arrependidos. Só o Mau como de costume reclamando da distancia para andar. Por ele tinha que ter um carrinho levando os visitantes ate a borda do cannyon.

Mas apesar de tudo a vista recompensou o esforço, pelo caminho vimos muitas Araucárias, muitas delas em função de a região apresentar um solo muito raso, parecem quase nanicas  comparadas a outras Araucárias que como florestal já vi na vida.

Na metade do caminho a chuva deu uma trégua, no entanto a serração, só se acentuava com a evapotranspiração da floresta.

Chegando ao centro de visitantes visitamos suas instalações, tentamos ir a trilha do vértice, para ver a cascata véu de noiva e a cascata das andorinhas, mas só podemos escutar o barulho da agua, com a neblina não podíamos enxergar absolutamente nada, com exceçao de alguns pinheiros ao longe envoltos pela neblina formando uma atmosfera misteriosa, mas ao mesmo tempo belíssima.

Retornamos a pousada estalagem da colina, tomamos nosso banho e fomos jantar, novamente no restaurante casarão. Estava uma delicia, principalmente a carne na chapa com polenta. Voltamos a pousada determinados a acordar cedo para ir novamente ao cannyon fortaleza.

Acordamos cedinho, tomamos café e seguimos em direçao ao fortaleza, novamente em estrada de chão, mas o palinho sempre firme e forte, tínhamos a certeza que o tempo iria colaborar, e realmente colaborou o céu estava azul sem uma única nuvem no céu.

Assim que nos aproximávamos de nosso destino final já podíamos perceber o cannyon .

Estacionamos nosso carro, estava friozinho, mas caminhando logo esquentamos, seguimos em direção ao topo mais alto ter uma visão “panoramica” do cannyon.

O que víamos era muito impressionante, ao contrario do Itaimbezinho, o Cannyon fortaleza não tem floresta em sua borda, apenas campos e mais ao longe plantio de Pinus sp, o cannyon e maior que itaimbezinho, no entanto itaimbezinho tem uma inclinação mais vertical, em alguns casos ate negativa.

Podíamos ver alguns arroios que vinha serpenteando os campos e despencavam cannyon adentro, só estando la ou tendo visitado para entender o que estou falando.

Infelizmente como o que e bom geralmente dura pouco, o tempo voou, já eram dez e meia passada e tínhamos que fazer o check-out no hotel, não podemos visitar a pedra do segredo nem a cachoeira dos macacos como havíamos planejado, mesmo assim estávamos satisfeitos com o passeio. Mas a viração já estava começando.

Voltamos ao hotel fechamos nossa conta e partimos em rumo gramado. Mas antes ainda tiramos algumas fotos do nosso hotel e da cidade, infelizmente perto da cidade podemos ver um caminhão transportando toras de Araucária. Paramos em uma barraca que vendia produtos coloniais, compramos mel de flores do campo de cima da serra e um mel escuro que acho que era de bracatinga.

A estrada ate Canela super bonita, com vários campos e as vezes capões de floresta, na margem muitas vezes com paina, chegamos a canela pelas 15:30 e tivemos uma surpresa..

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2 Comments
  1. Carlos Torres says

    Conheci o blog de vocês hoje, 8/1/2015, lendo as matérias sobre o Brasil e achando muito interessante. sucesso.

    1. MauOscar says

      Obrigado pela visita

      Abs

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